O uso de talidomida cresce clandestinamente
A talidomida está se espalhando amplamente sob os olhos supervisores das autoridades. Grupos de AIDS têm suas próprias redes para obter acesso à droga.
Uma busca na rede [link:WWW resulta:_self]WWW resulta[/link] em milhares de indicações na busca por “talidomida”. Boa parte dos links terminam em sites operados por grupos de apoio para pessoas com AIDS e câncer. A Agência de Alimentos e Drogas – FDA nos Estados Unidos – tentou limitar a acessibilidade à droga em meados dos anos noventa. Mas o tráfego em larga escala da talidomida do Brasil e México arrasaram a esperança da FDA de obter controle sobre o uso.
O Brasil consome apenas 400 kg = 881,848 lb dos 1.200 kg = 2645,544 lb de talidomida produzida no país a cada ano. Dois terços da droga são exportados – legalmente ou via contrabando – ou vendidos no mercado negro brasileiro.
A FDA decidiu abrir as portas para o seus novo programa emergencial de investigação da droga (IND) que proporciona acesso à talidomida para o tratamento de úlceras e definhamento. A fim de um paciente ser aprovado para o IND emergencial, um médico tem de apresentar informações para a FDA sobre (1) local das úlceras, (2) duração das úlceras, (3) todas as terapias tentadas anteriormente, (4) uma recente cultura negativa para herpes, (5) um relatório de biópsia, (6) uma história negativa de neuropatia periférica, (7) perda de peso documentada.
O processamento do IND leva de 24 a 48 horas. Uma vez aprovado o IND emergencial para a talidomida, a FDA envia grátis o fornecimento de um mês da droga. Médicos pediram a droga diretamente dos fabricantes, Celgene Corporation ou Andrulis. Pediatric Pharmaceuticals é a terceira empresa que está licenciada para comercializar a talidomida nos EUA. Pediatric Pharmaceuticals fornecem a droga por US$ 1 por cada pílula de 100 mg. (A Celgene cobra US$ 6,56 por pílula de 100 mg.)
Acesso via “Clubes de Compradores”
Uma maneira menos oficial de se obter a droga é via os “Clubes de Compradores”. Os clubes de compradores fornecem medicações experimentais para pessoas com AIDS e tornaram a talidomida disponível através de fontes clandestinas. Há poucos anos três clubes de compradores ainda anunciavam a talidomida em seus web sites. O grupo de saúde PWA em Nova York, Healing Alternatives em São Francisco, e Life Link próximo de Santa Barbara. Quando estas linhas foram escritas, a Healing Alternatives ainda fornecia talidomida em seu site.
As ações de diversos clubes de compradores forçou a FDA a adotar uma atitude mais liberal para com o uso da talidomida. A FDA compreendeu que a talidomida não poderia jamais ser totalmente freada.
O preço da talidomida também varia grandemente entre os clubes de compradores. O preço da talidomida no PWA Healthgroup é de US$ 2,25 por pílula de 100 mg ou US$ 22,50 por um recipiente com 10 pílulas – o fornecimento de dez dias. Compare isso com a Life Link, que vende a droga em cápsulas de 50 mg por US$ 60 um recipiente.
Nenhum efeito colateral?
Efeitos colaterais naturalmente não estão no topo da lista de sites [link:WWW relacionados:_self]WWW relacionados[/link] com a AIDS. Eles mencionam, porém, que alguma reações alérgicas podem resultar de se tomar a talidomida, especialmente em doses mais altas (300 a 400 mg diariamente – o que é bastante mais do que duas vezes a dose diária quando usada como um sedativo). No ensaio realizado na Tailândia, seis pacientes usuários da talidomida desenvolveram erupções como resultado da droga. Outras reações podem envolver febres altas, e condições semelhantes a gripe extremas.
Os pesquisadores também descobriram que o uso de longo prazo pode causar neuropatia periférica. Mas não há razão para se preocupar, de acordo com essas fontes. A neuropatia periférica pode facilmente ser evitada simplesmente se começando com uma dose baixa, 100 mg diariamente (50-100 mg por dia era a dose recomendada nos anos sessenta) ou descontinuando a droga se necessário. E como alivio extra, pode-se observar que Dr. Gilla Kaplan da Universidade de Rockefeller declara em web sites pertencentes a grupos de apoio a AIDS e câncer, que pessoas infectadas com HIV e em tratamento por TB não parecem passar pelas reações alérgicas.